
Cerimônia de abertura da quarta edição do mais importante evento internacional de água e saneamento do Brasil contou com representantes do BID, da ANA, da IWA, da AIDIS e do Ministério do Meio Ambiente
São Paulo, 25 de maio de 2026 – A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) abriu nesta segunda-feira a Brazil Water Week 2026 (BWW 2026), o mais importante evento internacional de água e saneamento realizado no Brasil. A cerimônia contou com a participação de autoridades nacionais e internacionais em torno do tema central desta edição: Conectando Soluções: água, clima e desenvolvimento sustentável. O evento segue até 29 de maio, em formato online, com 19 sessões organizadas em sete eixos temáticos.
Na abertura, o presidente nacional da ABES, Marcel Sanches, destacou que a agenda climática deixou de ser uma preocupação futura para se tornar uma realidade operacional, financeira e regulatória no presente. “Os eventos extremos já impactam diretamente os sistemas de abastecimento de água, os serviços de esgotamento sanitário e a drenagem urbana. Secas severas, enchentes cada vez mais intensas, pressões sobre mananciais, expansão urbana desordenada e desigualdade no acesso à infraestrutura são os desafios concretos que o setor enfrenta”, afirmou. Para Sanches, não haverá adaptação climática sem um saneamento resiliente – e não haverá desenvolvimento sustentável com segurança hídrica sem esse saneamento.
O presidente da ABES ressaltou ainda que o Brasil vive um ciclo histórico de transformação no setor: a meta de universalização dos serviços de água e esgoto prevista para 2033, no âmbito do Marco Legal do Saneamento, trouxe novos investimentos, ampliou a capacidade de financiamento e acelerou projetos estruturantes em todas as regiões do país. Mas sublinhou que o cumprimento dos compromissos de longo prazo exige engenharia, inovação, governança e regulação moderna. “Precisamos avançar em temas como economia circular, reúso de água, eficiência energética, descarbonização, infraestruturas verdes, soluções baseadas na natureza e gestão integrada de recursos hídricos”, disse. “A Brazil Water Week existe para isso: reunir reguladores, operadores, pesquisadores, formuladores de políticas públicas, organismos multilaterais, empresas e academia. Todos os profissionais que estão construindo o futuro da água e do saneamento.”
O presidente da ABES-SP, Nivaldo Rodrigues, reforçou a parceria entre a seção paulista e a Diretoria Nacional, lembrando que a Brasil Water Week é parte do calendário obrigatório do setor de saneamento e que a troca de experiências nacionais e internacionais é o caminho para acelerar tanto a universalização quanto a modernização operacional dos sistemas existentes. “Saneamento é um vetor de desenvolvimento e de redução de desigualdades sociais. Não podemos falar em crescimento de um país sem saneamento para todos”, afirmou.
A coordenadora da BWW 2026, Marisa Guimarães, apresentou a estrutura da programação e lembrou que o evento tem história que começa com a Rio Water Week, em 2018, chegando à sua quinta edição somando todas as versões. As 19 sessões desta edição foram agrupadas em sete temas: equidade e acesso ao saneamento; ciclo sustentável do saneamento; desafios regulatórios; inovação e transformação digital; resiliência climática e adaptação; governança, cooperação e financiamento internacional; e segurança da água. A coordenadora adjunta Juliana Dutra, vice-presidente da ABES-SP, definiu a BWW como um retrato das transformações que o setor vive em escala global. “Os temas que estão aqui representam os grandes desafios que moldam o cenário internacional do saneamento. As discussões desta semana vão ajudar a nortear políticas públicas e regulações, aproximando o Brasil das melhores práticas internacionais”, disse.
Do cenário internacional, o diretor executivo da IWA (International Water Association), Kala Vairavamoorthy, destacou o valor da parceria com a ABES e a força da comunidade técnica brasileira. “O Brasil tem profissionais e instituições que ajudam o setor a avançar globalmente. É por isso que a BWW é tão importante: cria soluções e oportunidades, e todos aprendemos com o que acontece aqui”, afirmou. Benedito Braga, presidente do Conselho Latino-Americano da Água, saudou a liderança de Marcel Sanches à frente da ABES e situou o debate do evento num contexto de múltiplas crises: “A promessa de universalização de água e saneamento segue distante em muitos países, inclusive no Brasil. A água tornou-se um ativo estratégico, e os conflitos ao redor do mundo já mostram que a segurança hídrica é também uma questão geopolítica.”
Rolando Chamy, presidente da AIDIS – da qual a ABES é o capítulo brasileiro, parabenizou o Brasil pela ambição do Marco Legal e enfatizou que alcançar a universalização exigirá a expansão simultânea dos investimentos públicos e privados no setor. Tiago Pena, chefe da divisão de água e saneamento do BID, reafirmou o banco como principal parceiro multilateral do Brasil no setor: são mais de US$ 1,4 bilhão distribuídos pelo país, com ênfase na região Amazônica e foco em infraestrutura verde, economia circular e inclusão de gênero, diversidade e comunidades vulneráveis.
Entre as autoridades nacionais, Ana Carolina Argolo, diretora da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), classificou a BWW como espaço de diálogo que ultrapassa fronteiras. “É uma oportunidade singular de reunir diferentes perspectivas para garantir água em quantidade e qualidade para esta e para as futuras gerações”, afirmou. Adalberto Maluf, secretário nacional de Ambiente Urbano e Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, anunciou que o MMA lançará em poucas semanas o Sistema Nacional de Efluentes, destacando os avanços brasileiros na gestão de recursos hídricos e o papel fundamental dos municípios na gestão ambiental.
Lenildo Moraes, presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), celebrou o encontro como ambiente qualificado de construção coletiva e chamou atenção para o alerta que o próprio evento representa: “Milhões de brasileiros ainda convivem com uma realidade que não deveria mais existir. O saneamento básico é um pilar estruturante. Este fórum é a forma certa de enfrentarmos isso juntos.”
A programação seguirá ao longo da semana com sessões sobre estações de tratamento de esgoto como biofábricas e plataformas de recuperação de recursos, diplomacia hídrica e gestão de conflitos transfronteiriços, resiliência climática e planejamento adaptativo, monitoramento inteligente, financiamento internacional e mecanismos multilaterais, soluções baseadas na natureza e segurança de aquíferos. As sessões são transmitidas ao vivo pela plataforma digital do evento, com momentos BWW Connection dedicados à interação direta entre os participantes. As gravações ficam disponíveis por 90 dias para os inscritos.
A programação completa em www.brazilwaterweek.com.br.
Sobre a ABES
A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) é a principal entidade técnica e científica do saneamento e do meio ambiente no Brasil, com atuação em âmbito nacional e representação nos estados. Fundada em 1966, reúne profissionais, pesquisadores e instituições comprometidos com o desenvolvimento do setor e com o direito humano à água e ao saneamento.
