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Inteligência artificial acelera combate às perdas de água no Brasil


Tecnologia será destaque no WaterLoss 2026, evento que tem a ABES como anfitriã e reúne especialistas para discutir eficiência no setor

Rio de Janeiro, Abril de 2026  – O uso de inteligência artificial ganha espaço no saneamento como uma ferramenta estratégica para enfrentar um dos principais desafios dos sistemas de abastecimento: as perdas de água. A partir da análise de dados como vibração, transientes de pressão e padrões de consumo, essas soluções permitem identificar vazamentos não visíveis com maior precisão, ampliando a eficiência da gestão das redes.

Na prática, a IA representa uma evolução dos métodos tradicionais de detecção. Ao processar sinais em alta escala, as ferramentas conseguem diferenciar interferências externas da assinatura real de vazamentos, reduzindo incerteza na tomada de decisão e direcionando com mais precisão o trabalho das equipes de campo. “A inteligência artificial não substitui a hidráulica, ela potencializa. É a mesma lógica técnica, mas com uma capacidade analítica muito maior, que permite decisões mais rápidas e assertivas”, explica Marília Lara, CEO da Stattus4.

Esse avanço já impacta diretamente a operação. Processos que antes levavam meses para localizar vazamentos passam a ser realizados em poucos dias, reduzindo perdas de água, custos com energia e produtos químicos, além de aumentar a eficiência das equipes. “O principal ganho é velocidade, com redução de processos que levariam até 180 dias para cerca de 5 dias, além de menor custo e maior assertividade”, afirma.

O tema ganha relevância em um cenário de maior pressão por eficiência no setor. “A discussão sobre uso de dados e novas tecnologias no combate às perdas deixou de ser opcional. Hoje, é um caminho fundamental para que o setor avance em eficiência, sustentabilidade e na entrega de melhores serviços à população”, afirma Marcel Sanches, presidente nacional da ABES.

Experiências recentes no Brasil ajudam a dimensionar esse potencial. Em cidades como Curitiba e Cascavel, a aplicação dessas soluções contribuiu para a identificação de centenas de vazamentos e reduções expressivas nos índices de perdas de água. Em Araxá (MG), o processamento de dados acústicos permitiu localizar mais de uma centena de vazamentos em pouco mais de três meses, gerando ganhos operacionais relevantes e aumento da disponibilidade hídrica no sistema.

Apesar dos avanços, a adoção da inteligência artificial ainda é desigual no país. Entre os principais entraves estão a qualidade e a integração das bases de dados, além de desafios institucionais relacionados à incorporação de novas tecnologias. Ainda assim, a solução já se mostra viável para diferentes perfis de operadores, incluindo companhias de médio porte, funcionando como um apoio estratégico para equipes de perdas.

A tendência é que a tecnologia se consolide como parte da rotina operacional nos próximos anos, impulsionada pela busca por eficiência e pelo cumprimento de metas do setor, com sistemas cada vez mais orientados à gestão preditiva e à identificação de falhas em tempo real.

Esse avanço estará no centro das discussões do WaterLoss 2026, evento organizado pela International Water Association (IWA), entre os dias 26 e 29 de abril, no Rio de Janeiro. No evento, Marília Lara participa do painel “Beyond leak detection: how AI is revolutionizing water loss management”, no dia 28, às 13h30, aprofundando o debate sobre o uso da inteligência artificial na gestão de perdas e suas aplicações práticas no setor.

Sobre a ABES

Com 60 anos de história, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental é a principal entidade do setor no país, congregando profissionais, pesquisadores, empresas e instituições atuantes nas áreas de saneamento, meio ambiente e recursos hídricos. Por meio de eventos, publicações e articulações institucionais, a ABES contribui decisivamente para o avanço das políticas públicas e das soluções técnicas que garantem saúde, sustentabilidade e qualidade de vida à população brasileira