Marcel Sanches — Presidente Nacional da ABES
Bom dia a todas e todos.
É uma grande alegria recebê-los no Brasil, no Rio de Janeiro, para a abertura do Water Loss 2026, um dos mais importantes encontros globais dedicados à gestão de perdas de água, à eficiência operacional e à sustentabilidade dos sistemas de abastecimento.
E esta é uma edição verdadeiramente histórica.
Temos aqui reunidos cerca de 800 participantes, representando mais de 60 países diferentes. Esse número expressa a força da comunidade internacional da água e mostra que a agenda de perdas deixou de ser um tema restrito aos operadores para se tornar uma prioridade global de segurança hídrica, sustentabilidade, inovação e desenvolvimento.
Em nome da ABES — Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, quero dar as boas-vindas a cada participante, palestrante, pesquisador, operador, regulador, gestor público, representante de empresa, patrocinador e parceiro institucional que está conosco. O meu muito obrigado especial aos parceiros e patrocinadores que tornaram possível este evento.
Recebemos aqui profissionais de diferentes países, diferentes realidades e diferentes experiências, mas unidos por um mesmo propósito: fazer com que a água disponível chegue com mais eficiência, mais segurança e mais justiça às pessoas.
Quero fazer uma saudação especial à International Water Association — IWA, nossa parceira na realização deste evento, e ao seu Diretor Executivo, Kala Vairavamoorthy, cuja presença muito nos honra. Agradeço também a presença da diretora da IWA, Daniela Benfica, que também nos apoiou desde o início desta jornada.
A ABES é a Governing Member da IWA no Brasil e nossas instituições têm um papel essencial no mundo: conectar conhecimento, ciência, inovação, operadores, governos e instituições em escala global, ajudando o setor de água e saneamento a enfrentar desafios que já não são apenas locais, mas globais.
A ABES se orgulha de ser anfitriã deste encontro e de fortalecer, a partir do Brasil, essa rede internacional de cooperação técnica.
Também cumprimento o IWA Water Loss Specialist Group, que tem sido referência mundial na construção de metodologias, indicadores, boas práticas e soluções aplicadas à redução de perdas de água.
Faço aqui um reconhecimento especial a todos que trabalharam para que este evento acontecesse: ao Stuart Hamilton, que comigo preside esta conferência; aos membros do Comitê Organizador – Pladevall, Milene, Gary e Bamboos; à Comissão do Programa; aos moderadores; aos autores; às empresas apoiadoras; à equipe da ABES; e a todos os profissionais que, nos bastidores, transformaram esta ideia em realidade.
Este evento é, antes de tudo, um espaço de encontro. Mas não apenas um encontro técnico. É um encontro entre urgência e possibilidade.
Permitam-me, especialmente aos nossos convidados internacionais, situar brevemente o estágio atual do saneamento no Brasil.
O Brasil é um país continental, com mais de 200 milhões de habitantes, realidades regionais muito diversas e um dos maiores desafios de universalização do saneamento do mundo.
Segundo os dados oficiais do SINISA, ano-base 2023, aproximadamente 83% da população brasileira é atendida com abastecimento de água, índice que chega a pouco mais de 93% quando observamos a população urbana. Isso significa que avançamos muito, mas ainda temos milhões de brasileiros a serem incorporados aos sistemas seguros e regulares de abastecimento.
No esgotamento sanitário, o desafio é ainda maior. O atendimento por rede coletora alcança cerca de 60% da população total, e o volume de esgoto tratado representa aproximadamente 49% do esgoto gerado. São números que mostram, de forma muito clara, a dimensão da transformação que o país precisa realizar nos próximos anos.
O Brasil assumiu, por lei, uma meta ambiciosa: chegar até 2033 com 99% da população atendida com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto. Essa meta reorganizou o setor, mobilizou investimentos, fortaleceu a regulação e ampliou o papel de operadores públicos, privados, agências reguladoras, governos e instituições técnicas.
Mas há um ponto central para esta conferência: a universalização não será alcançada apenas ampliando produção, construindo novas estações ou expandindo redes. Ela dependerá, cada vez mais, de usarmos melhor a infraestrutura que já existe.
E é aqui que a agenda de perdas de água se torna estratégica.
De acordo com o SINISA, o Brasil ainda perde quase 40% da água produzida nos sistemas de distribuição. Em outras palavras, uma parte expressiva da água que captamos, tratamos, bombeamos e transportamos não se converte plenamente em atendimento eficiente, receita sustentável e segurança hídrica.
Para os brasileiros, esse dado é mais do que um indicador técnico. Ele representa energia desperdiçada, produtos químicos desperdiçados, pressão adicional sobre mananciais, aumento de custos, redução da capacidade de investimento e menor resiliência diante das mudanças climáticas.
Por isso, realizar o Water Loss no Brasil tem um significado especial. Estamos reunidos em um país que tem escala, urgência, metas legais ambiciosas e enorme espaço para inovação. O Brasil é, ao mesmo tempo, um grande desafio e um grande laboratório para o mundo.
No Brasil, reduzir perdas não é apenas melhorar a eficiência de uma operação. É antecipar a universalização, proteger mananciais, reduzir emissões, melhorar a sustentabilidade financeira dos prestadores e entregar mais segurança hídrica à população.
Vivemos um tempo em que a segurança hídrica se tornou uma das grandes agendas do século XXI. As mudanças climáticas intensificam eventos extremos. As secas se tornam mais severas. As chuvas se tornam mais concentradas. A infraestrutura envelhece. As cidades crescem. A demanda por água aumenta. E a sociedade exige — corretamente — serviços mais resilientes, eficientes, sustentáveis e acessíveis.
Nesse contexto, reduzir perdas de água deixou de ser apenas uma pauta operacional. Tornou-se uma pauta estratégica.
Perdas de água não são apenas um indicador técnico. Elas representam energia desperdiçada, produtos químicos desperdiçados, capacidade instalada subutilizada, receitas perdidas, investimentos postergados, emissões evitáveis e, principalmente, água que poderia estar atendendo famílias, comunidades, indústrias, hospitais, escolas e territórios vulneráveis.
Quando falamos de perdas, falamos de eficiência. Mas falamos também de segurança hídrica, de adaptação climática, de sustentabilidade financeira, de confiança pública e de justiça social.
Por isso, o tema desta conferência é tão relevante.
O programa do Water Loss 2026 mostra claramente a amplitude dessa agenda. Teremos discussões sobre indicadores globais de perdas, financiamento, contratos baseados em desempenho, tecnologias de detecção de vazamentos, inteligência artificial, gêmeos digitais, setorização, controle de pressão, medição, gestão de ativos, segurança hídrica, resiliência climática e transformação digital.
Essa diversidade de temas revela uma mensagem importante: não existe uma solução única para reduzir perdas de água.
Não basta comprar tecnologia. Não basta instalar sensores. Não basta substituir redes. Não basta melhorar a medição. Não basta criar metas. Tudo isso é importante, mas precisa estar integrado em uma estratégia consistente, com governança, planejamento, financiamento, capacitação, regulação adequada e compromisso permanente com resultados.
A redução de perdas exige método. Exige dados confiáveis. Exige disciplina operacional. Exige equipes preparadas. Exige liderança. Exige persistência.
E exige, acima de tudo, uma mudança de mentalidade: deixar de tratar perdas como um problema inevitável e passar a tratá-las como uma fronteira concreta de eficiência, inovação e sustentabilidade.
Cada metro cúbico economizado por meio da redução de perdas é, em muitos casos, mais barato, mais rápido e ambientalmente mais inteligente do que produzir um novo metro cúbico a partir de novas fontes.
Essa é uma mensagem que precisa estar no centro das políticas públicas, dos planos de investimento, da regulação e da gestão das operadoras.
Ao mesmo tempo, precisamos reconhecer que reduzir perdas não é simples. Especialmente em países em desenvolvimento, onde muitas operadoras enfrentam restrições financeiras, limitações de dados, infraestrutura antiga, crescimento urbano desordenado e desafios sociais significativos.
Por isso, este evento é tão importante.
Aqui, teremos a oportunidade de aprender com experiências internacionais, mas também de mostrar ao mundo a experiência brasileira e latino-americana.
Teremos casos do Brasil, da América Latina, da Europa, da Ásia, da África, do Oriente Médio e de outras regiões. Teremos operadores públicos e privados, pesquisadores, consultores, empresas de tecnologia, organismos multilaterais e especialistas independentes. Essa combinação é poderosa, porque a inovação verdadeira nasce justamente do diálogo entre realidades diferentes.
E eu gostaria de destacar um ponto que considero central: a tecnologia será fundamental, mas a tecnologia precisa estar a serviço da estratégia.
Inteligência artificial, sensoriamento remoto, satélites, fibra óptica, modelagem hidráulica, medidores inteligentes, plataformas digitais e análise preditiva já estão transformando a forma como gerimos redes de água. Mas a pergunta que deve nos guiar não é apenas: “qual tecnologia usar?”. A pergunta correta é: qual problema queremos resolver, qual resultado queremos alcançar e como garantiremos que a solução seja sustentável ao longo do tempo?
Esse é o desafio de todos nós.
Precisamos transformar dados em decisão. Decisão em ação. Ação em resultado. E resultado em benefício concreto para a sociedade.
Também quero chamar atenção para a relação entre perdas de água e clima.
Durante muito tempo, a agenda climática no setor de saneamento esteve mais associada a emissões, energia e tratamento de esgoto. Hoje, cada vez mais, fica claro que a gestão de perdas de água também é uma agenda climática.
Reduzir perdas significa reduzir captação desnecessária, bombeamento desnecessário, tratamento desnecessário e consumo energético associado. Significa aumentar a resiliência dos sistemas em períodos de escassez. Significa proteger mananciais. Significa ampliar a capacidade de adaptação das cidades.
Portanto, quando falamos em perdas, não estamos tratando apenas de eficiência operacional. Estamos falando de uma das respostas mais inteligentes à crise climática.
E essa é uma mensagem que precisa alcançar não apenas os técnicos, mas também os tomadores de decisão, os reguladores, os financiadores, os prefeitos, os governadores, os parlamentares e a sociedade.
Outro ponto essencial é o financiamento.
Muitas soluções para redução de perdas têm retorno econômico evidente. Mas, ainda assim, a mobilização de recursos nem sempre ocorre na velocidade necessária. Precisamos avançar em modelos que combinem financiamento, desempenho, compartilhamento de riscos, contratos bem estruturados, regulação inteligente e incentivos corretos.
A boa notícia é que esta conferência também tratará disso. O programa inclui discussões sobre financiamento de um futuro com segurança hídrica, blended finance, parcerias público-privadas e contratos baseados em desempenho.
Esses temas são fundamentais porque, em última instância, a redução de perdas precisa sair do campo da boa intenção e entrar definitivamente no campo da execução financiável, mensurável e verificável.
Como presidente da ABES, quero reforçar que a nossa Associação tem um papel histórico no saneamento brasileiro: produzir conhecimento, formar profissionais, articular instituições, defender políticas públicas e promover o diálogo técnico qualificado.
Ser anfitriã do Water Loss 2026 é motivo de orgulho, mas também de responsabilidade.
Esta edição histórica, com 800 participantes e representantes de 60 países, mostra que o Brasil está no centro de uma agenda global decisiva. Não estamos apenas sediando uma conferência. Estamos ajudando a construir uma plataforma internacional de cooperação, inovação e ação concreta para reduzir perdas de água e fortalecer a segurança hídrica.
Queremos que este evento deixe um legado.
Um legado de conhecimento compartilhado. Um legado de conexões internacionais. Um legado de fortalecimento da agenda brasileira de redução de perdas. Um legado de aproximação entre ABES e IWA. E, sobretudo, um legado de compromisso com a água como bem essencial, finito e estratégico.
A presença da IWA no Brasil, neste momento, tem um significado especial. O Brasil vive uma fase decisiva para o saneamento. O setor está se transformando, os investimentos estão crescendo, a regulação está amadurecendo e a sociedade está mais exigente. Esse é o momento certo para aprofundarmos a cooperação internacional.
A ABES acredita profundamente na força dessa parceria com a IWA. Temos muito a aprender com o mundo, mas também temos muito a compartilhar. O Brasil tem escala, diversidade, criatividade técnica, capacidade de adaptação e experiências relevantes em saneamento urbano, gestão de sistemas complexos, universalização e inovação operacional.
Por isso, espero que estes dias no Rio de Janeiro sejam também uma oportunidade para construirmos pontes mais duradouras entre o Brasil, a América Latina e a comunidade global da água.
Quero convidar todos os participantes a aproveitarem intensamente esta conferência.
Participem das sessões técnicas. Visitem a área de exposição. Conversem com os autores. Dialoguem com os operadores. Questionem os fornecedores. Compartilhem suas experiências. Façam conexões. Levem novas ideias para suas organizações. E, principalmente, saiam daqui com compromissos concretos.
Porque o sucesso de uma conferência como esta não se mede apenas pela qualidade das apresentações. Mede-se pelo que acontece depois: pelos projetos que serão iniciados, pelas políticas que serão aperfeiçoadas, pelas tecnologias que serão melhor aplicadas, pelas redes que serão mais bem geridas e pela água que deixará de ser perdida.
Meus amigos e minhas amigas,
A água perdida é uma oportunidade perdida.
Mas a água recuperada é uma oportunidade de futuro.
É futuro para as cidades.
É futuro para as operadoras.
É futuro para os ecossistemas.
É futuro para as próximas gerações.
Que o Water Loss 2026 seja um marco de cooperação, inovação e ação. Que este encontro fortaleça a convicção de que reduzir perdas é uma das formas mais eficazes de produzir segurança hídrica, sustentabilidade e desenvolvimento.
Em nome da ABES, declaro aberta esta conferência e desejo a todos um excelente Water Loss 2026.
Muito obrigado.
Opening Speech — Water Loss 2026
Marcel Sanches — President of ABES
Good morning, everyone.
It is a great pleasure to welcome you to Brazil, to Rio de Janeiro, for the opening of Water Loss 2026, one of the most important global conferences dedicated to water loss management, operational efficiency, and the sustainability of water supply systems.
And this is a truly historic edition.
We have gathered here around 800 participants, representing more than 60 different countries. This number reflects the strength of the international water community and shows that the water loss agenda is no longer a topic restricted to operators; it has become a global priority for water security, sustainability, innovation, and development.
On behalf of ABES — the Brazilian Association of Sanitary and Environmental Engineering — I would like to welcome every participant, speaker, researcher, operator, regulator, public manager, company representative, sponsor, and institutional partner joining us today. My special thanks go to the partners and sponsors who made this event possible.
We are welcoming professionals from different countries, different realities, and different experiences, but united by the same purpose: to ensure that available water reaches people with greater efficiency, greater security, and greater fairness.
I would like to extend a special greeting to the International Water Association — IWA, our partner in organizing this event, and to its Executive Director, Kala Vairavamoorthy, whose presence truly honors us. I also thank IWA Director Daniela Benfica, who has supported us from the very beginning of this journey.
ABES is the Governing Member of IWA in Brazil, and our institutions play an essential role in the world: connecting knowledge, science, innovation, operators, governments, and institutions on a global scale, helping the water and sanitation sector address challenges that are no longer merely local, but global.
ABES is proud to host this Conference and to strengthen, from Brazil, this international network of technical cooperation.
I also greet the IWA Water Loss Specialist Group, which has become a global reference in the development of methodologies, indicators, best practices, and applied solutions for reducing water losses.
I would like to give special recognition to everyone who worked to make this event happen: to Stuart Hamilton, who co-chairs this conference with me; to the members of the Organizing Committee — Pladevall, Milene, Gary, and Bamboos; to the Programme Committee; to the moderators; to the authors; to the supporting companies; to the ABES team; and to all the professionals who, behind the scenes, turned this idea into reality.
This event is, above all, a space for sharing. But not only a technical sharing. It is a meeting point between urgency and possibility.
Allow me, especially for our international guests, to briefly frame the current stage of Water Sector in Brazil.
Brazil is a continental country, with more than 200 million inhabitants, highly diverse regional realities, and one of the greatest sanitation universalization challenges in the world.
According to official SINISA data, base year 2023, approximately 83% of the Brazilian population is served by water supply services, a rate that reaches over 93% when we consider the urban population. This means that we have made significant progress, but we still have millions of Brazilians to be connected to safe and regular water supply systems.
In sanitation and sewerage, the challenge is even greater. Sewerage network coverage reaches around 60% of the total population, and the volume of treated sewage represents approximately 49% of the sewage generated. These figures very clearly show the scale of the transformation that the country must carry out in the coming years.
Brazil has legally committed to an ambitious goal: by 2033, reaching 99% of the population with access to drinking water and 90% with sewage collection and treatment. This target has reorganized the sector, mobilized investments, strengthened regulation, and expanded the role of public and private operators, regulatory agencies, governments, and technical institutions.
But there is a central point for this conference: universalization will not be achieved only by expanding production, building new plants, or extending networks. Increasingly, it will depend on making better use of the infrastructure we already have.
And this is where the water loss agenda becomes strategic.
According to SINISA, Brazil still loses almost 40% of the water produced in distribution systems. In other words, a significant share of the water we abstract, treat, pump, and transport does not fully translate into efficient service, sustainable revenue, and water security.
For Brazilians, this figure is more than a technical indicator. It represents wasted energy, wasted chemicals, additional pressure on water sources, higher costs, reduced investment capacity, and lower resilience in the face of climate change.
That is why holding Water Loss in Brazil has a special meaning. We are in a country with scale, urgency, ambitious legal targets, and enormous room for innovation. Brazil is, at the same time, a major challenge and a major opportunity for the professionals and companies from all araujo the world.
In Brazil, reducing losses is not merely about improving the efficiency of an operation. It is about anticipating universalization, protecting water sources, reducing emissions, improving the financial sustainability of service providers, and delivering greater water security to the population.
We live in a time when water security has become one of the great agendas of the twenty-first century. Climate change is intensifying extreme events. Droughts are becoming more severe. Rainfall is becoming more concentrated. Infrastructure is aging. Cities are growing. Demand for water is increasing. And society rightly expects services that are more resilient, efficient, sustainable, and accessible.
In this context, reducing water losses has moved beyond being an operational issue. It has become a strategic priority.
Water losses are not only a technical indicator. They represent wasted energy, wasted chemicals, underused installed capacity, lost revenues, postponed investments, avoidable emissions, and, most importantly, water that could be serving families, communities, industries, hospitals, schools, and vulnerable territories.
When we speak about losses, we speak about efficiency. But we also speak about water security, climate adaptation, financial sustainability, public trust, and social justice.
That is why the theme of this conference is so relevant.
The Water Loss 2026 programme clearly demonstrates the breadth of this agenda. We will have discussions on global water loss indicators, financing, performance-based contracts, leak detection technologies, artificial intelligence, digital twins, zoning, pressure management, metering, asset management, water security, climate resilience, and digital transformation.
This diversity of topics reveals an important message: there is no single solution for reducing water losses.
It is not enough to buy technology. It is not enough to install sensors. It is not enough to replace pipes. It is not enough to improve metering. It is not enough to set targets. All of these are important, but they must be integrated into a consistent strategy, with governance, planning, financing, capacity building, appropriate regulation, and a permanent commitment to results.
Reducing losses requires method. It requires reliable data. It requires operational discipline. It requires trained teams. It requires leadership. It requires persistence.
And above all, it requires a change in mindset: to stop treating losses as an inevitable problem and to begin treating them as a concrete frontier of efficiency, innovation, and sustainability.
Each cubic meter saved through loss reduction is, in many cases, cheaper, faster, and environmentally smarter than producing a new cubic meter from new sources.
This message needs to be at the center of public policies, investment plans, regulation, and utility management.
At the same time, we must recognize that reducing losses is not simple. Especially in developing countries, where many utilities face financial constraints, data limitations, aging infrastructure, disorderly urban growth, and significant social challenges.
That is why this event is so important.
Here, we will have the opportunity to learn from international experiences, while also showing the world the Brazilian and Latin American experience.
We will have cases from Brazil, Latin America, Europe, Asia, Africa, the Middle East, and other regions. We will have public and private operators, researchers, consultants, technology companies, multilateral organizations, and independent experts. This combination is powerful, because true innovation is born precisely from dialogue among different realities.
And I would like to highlight one point that I consider central: technology will be fundamental, but technology must serve strategy.
Artificial intelligence, remote sensing, satellites, fiber optics, hydraulic modeling, smart meters, digital platforms, and predictive analytics are already transforming the way we manage water networks. But the question that should guide us is not only: “which technology should we use?” The right question is: what problem do we want to solve, what result do we want to achieve, and how will we ensure that the solution is sustainable over time?
This is the challenge for all of us.
We need to transform data into decisions. Decisions into action. Action into results. And results into concrete benefits for society.
I also want to draw attention to the relationship between water losses and climate change.
For a long time, the climate agenda in the water sector was more closely associated with emissions, energy, and wastewater treatment. Today, it is increasingly clear that water loss management is also a climate agenda.
Reducing losses means reducing unnecessary abstraction, unnecessary pumping, unnecessary treatment, and associated energy consumption. It means increasing the resilience of systems during periods of scarcity. It means protecting water sources. It means expanding the adaptive capacity of cities.
Therefore, when we talk about losses, we are not talking only about operational efficiency. We are talking about one of the smartest responses to the climate crisis.
And this is a message that must reach not only technical experts, but also decision-makers, regulators, financiers, mayors, governors, parliamentarians, and society as a whole.
Another essential point is financing.
Many loss reduction solutions have a clear economic return. Even so, the mobilization of resources does not always happen at the necessary speed. We need to advance models that combine financing, performance, risk sharing, well-structured contracts, smart regulation, and the right incentives.
The good news is that this conference will also address this. The programme includes discussions on financing a water-secure future, blended finance, public-private partnerships, and performance-based contracts.
These topics are fundamental because, ultimately, loss reduction must move out of the realm of good intentions and firmly into the realm of bankable, measurable, and verifiable execution.
As President of ABES, I want to reinforce that our Association has played a historic role in Brazilian water sector: producing knowledge, training professionals, connecting institutions, advocating for public policies, and promoting qualified technical dialogue.
Hosting Water Loss 2026 is a source of pride, but also of responsibility.
This historic edition, with 800 participants and representatives from 60 countries, shows that Brazil is at the center of a decisive global agenda. We are not only hosting a conference. We are helping to build an international platform for cooperation, innovation, and concrete action to reduce water losses and strengthen water security.
We want this event to leave a legacy.
A legacy of shared knowledge. A legacy of international connections. A legacy of strengthening the Brazilian water loss reduction agenda. A legacy of closer cooperation between ABES and IWA. And, above all, a legacy of commitment to water as an essential, finite, and strategic good.
The presence of IWA in Brazil at this moment has a special meaning. Brazil is experiencing a decisive phase. The sector is transforming, investments are growing, regulation is maturing, and society is becoming more demanding. This is the right moment to deepen international cooperation.
ABES deeply believes in the strength of this partnership with IWA. We have much to learn from the world, but we also have much to share. Brazil has scale, diversity, technical creativity, adaptability, and relevant experiences in urban sanitation, complex system management, universalization, and operational innovation.
For this reason, I hope these days in Rio de Janeiro will also be an opportunity to build more lasting bridges between Brazil, Latin America, and the global water community.
I invite all participants to make the most of this conference.
Take part in the technical sessions. Visit the exhibition area. Speak with the authors. Engage with the operators. Challenge the suppliers. Share your experiences. Build connections. Take new ideas back to your organizations. And, above all, leave here with concrete commitments.
Because the success of a conference like this is not measured only by the quality of its presentations. It is measured by what happens afterward: by the projects that will be started, the policies that will be improved, the technologies that will be better applied, the networks that will be better managed, and the water that will no longer be lost.
My friends,
Lost water is a lost opportunity.
But recovered water is an opportunity for the future.
It is a future for cities.
It is a future for utilities.
It is a future for ecosystems.
It is a future for the next generations.
May Water Loss 2026 be a milestone of cooperation, innovation, and action. May this gathering strengthen the conviction that reducing losses is one of the most effective ways to produce water security, sustainability, and development.
On behalf of ABES, I declare this conference open and wish everyone an excellent Water Loss 2026.
Thank you very much.