Diante das perspectivas de evolução do El Niño e de seus possíveis impactos sobre diferentes regiões do Brasil, a Câmara Temática Nacional de Mudanças Climáticas e Gestão de Carbono no Saneamento da ABES reuniu referências técnicas nacionais e internacionais para apoiar profissionais e instituições do setor na análise de riscos e no planejamento.
Para entender melhor o que esse cenário pode representar para o saneamento, conversamos com Ana Lucia Fonseca Rodrigues Szajubok, presidente da Câmara Temática Nacional de Mudanças Climáticas e Gestão de Carbono no Saneamento da ABES.
1. Por que o El Niño merece atenção do setor de saneamento?
O El Niño pode alterar os padrões de chuva e temperatura e produzir efeitos diferentes de acordo com cada região. O Brasil, historicamente, está associado a uma maior probabilidade de chuvas acima da média em áreas do Sul e de redução das precipitações em partes do Norte e Nordeste. Para o saneamento, essas variações podem repercutir na disponibilidade e na qualidade da água, nas vazões dos rios, na operação dos sistemas e na própria infraestrutura. Por isso, é importante acompanhar a evolução do fenômeno considerando sempre as características e vulnerabilidades de cada território.
2. O que muda quando analisamos o El Niño em um contexto de mudanças climáticas?
O El Niño é um fenômeno natural, enquanto as mudanças climáticas estão relacionadas a transformações de longo prazo no sistema climático. É importante não confundir os dois processos. Ao mesmo tempo, o aumento das temperaturas globais, as alterações no ciclo hidrológico e a intensificação de determinados eventos extremos podem ampliar riscos já existentes. Para o setor de saneamento, isso reforça a necessidade de combinar informações climáticas atualizadas com uma avaliação das condições locais, da exposição dos sistemas e de suas vulnerabilidades.
3. Como o repositório organizado pela ABES pode ajudar profissionais e gestores?
O repositório reúne boletins, estudos, informações hidrológicas, análises de riscos e ferramentas produzidas por instituições brasileiras e internacionais reconhecidas. A proposta é facilitar o acesso a fontes confiáveis e apoiar avaliações ajustadas às realidades regionais e locais. Mais do que oferecer uma previsão única, o material ajuda profissionais, gestores, reguladores e pesquisadores a acompanhar a evolução do cenário, compreender possíveis riscos e qualificar o planejamento e a tomada de decisões no saneamento.
Confira o texto completo no link: https://abes-dn.org.br/abes-reune-referencias-tecnicas-para-apoiar-o-setor-de-saneamento-diante-do-el-nino-em-um-cenario-de-mudancas-climaticas/