INTRODUÇÃO

Para garantir o abastecimento de água para as populações não é suficiente ter água disponível: é necessário que a água seja segura (potável) e também é necessário contar com uma empresa (organismo operador) financeiramente saudável que assegure o fornecimento permanente.


A garantia da qualidade da água que se entrega em um sistema de distribuição somente pode ser obtida mediante a avaliação e gestão dos riscos de contaminação, desde a bacia de captação ou o aquífero até a chave de entrada na moradia, na escola ou na indústria. Os esforços na gestão destes riscos, desde os sistemas de distribuição de água até os sistemas micro como são a habitação, a escola ou a indústria causam impacto diretamente na saúde e desenvolvimento saudável da população e, em consequência, tem também um impacto na produtividade e economia de uma região.


A sustentabilidade das empresas que administram os serviços de água, drenagem e saneamento de uma população depende, em grande parte, de sua saúde financeira. Em muitos locais da América Latina e Caribe, estas empresas estão em situações muito desfavoráveis, com baixa eficiência operacional e financeira. Dois dos aspectos que mais impactam nas finanças de um organismo operador destes serviços são: os custos de energia e as perdas de água.


Um dos maiores custos de uma empresa de água, drenagem e saneamento é a energia. Estas despesas são compostas, principalmente, por energia elétrica, através de equipamentos geradores. Portanto, uma variável deste conceito muitas vêzes pode ser a diferença entre o lucro ou o prejuízo para as empresas ou o alcance ou não de uma meta financeira.


Há uma tendência crescente dos custos da energia e, por outro lado, há a pressão para a redução dos gastos de operação. Como é possível estabelecer o equilíbrio entre estas realidades? Há alternativas para conseguir este equilíbrio e tratar de reduzir os custos de energia. Os avanços tecnológicos, as descobertas científicas, a eficiência energética, a revisão de conceitos são algumas das possíveis respostas a este dilema.


Portanto, há necessidade de uma nova postura dos profissionais envolvidos nas áreas técnico-administrativas que permitam maiores e profundas mudanças da gestão dos custos operacionais.


As ações de eficiência energética bem estruturadas e bem aplicadas constituem uma grande ferramenta para a solução deste problema. As empresas que oferecem o serviço de abastecimento de água potável, os usuários e o Meio Ambiente sofrem os impactos negativos causados pelas perdas de água. As condições da infraestrutura e manutenção deficiente conduzem à perda de grandes quantidades de água, através dos vazamentos. Além do mais, nem toda a água que é realmente consumida é medida e paga. Esta situação tem conseqüências nas empresas prestadoras de serviço: por um lado, incorre-se em maiores gastos ao produzir e distribuir uma maior quantidade de água e, por outro lado, não são obtidos pagamentos de todos os consumidores que são abastecidos. As perdas de água, portanto, significam uma administração deficiente do sistema e, em consequência, da empresa, com baixos níveis de serviço e no uso ineficiente e insustentável dos recursos hídricos.


Nas empresas de água da América Latina e Caribe não é fácil chegar a um valor confiável das perdas de água, pois muitas de nossas empresas operadoras não têm sistemas implantados de acompanhamento das perdas e em muitos de nossos países não se tem, a nível nacional, um sistema de informação que consolide o desempenho destas empresas.


Para reduzir de forma efetiva as perdas de água, devem ser implantadas políticas de controle para eliminar todas as causas das perdas comerciais. Da mesma forma, deveriam ser eliminados os vazamentos visíveis ou não que surgem de maneira freqüente na rede, através de programas de setorização hidrométrica, inspeção e reparos de perdas, controle de pressões etc.